Inicialmente não sei como superar um término de relacionamento, até porque este blogger é uma escrevivência e não tem intenção de ensinar nada, então se você tiver intensão de ficar confuso junto comigo, continue lendo mais uma de minhas desventuras.
Pra iniciar, eu pessoalmente digo a mim mesma que vai passar, me olho no espelho fico bonita e digo, ele é um idiota por não ter te valorizado, foi ele quem perdeu.
Falo para os amigos íntimos, que eu terminei porque precisava me amar e ter dignidade e que as coisas não estavam indo bem, e quanto mais eu falo sobre o término, mais eu me sinto confusa quanto a minha decisão.
O meu cérebro fica trazendo memórias lindas de nós dois nos amando na praia, de mãos dadas e sorrindo como num filme de comédia romântica.
Como não se apaixonar por nós, como unha e carne, como almas gêmeas, que gostam das mesmas coisas, que curtem o mesmo estilo musical, que gostam de jiu-jitsu e de animes, que faz sempre juntos todas as coisas, um nós que compartilhava tudo e se amava principalmente na doença.
Quando olho pra trás e vejo os recortes, lembro dele sorrindo, e andando todo pomposo de óculos escuros, lembro dele no eventos filmando tudo pra mim até cansar o braço, lembro do apoio que me dava para lutar pelos meus sonhos.
Você é incrível! Descendo as escadas gritando o meu nome quando eu chegava.
Lembro de momentos difíceis quando perdi meus filhos e você esteve do meu lado.
O você...o cara que eu amei era inteligente e gentil, simpático e sociável, sabia me dar bons conselhos e sempre esteve do meu lado na doença. Era um sonhador que sonhava com viajar para o exterior para fugir.
O nosso plano...aquele plano que a gente fingia que era sonho...eu e você...acabou...
Acabou a viagem ao exterior, acabou as risadas e as palavras de amor, o sou louco por você, o minha , o nós...
Acabou não porque você foi embora, ou porque terminou o nosso "pra sempre".
Acabou antes de acabar, mas meu cérebro não lembra das brigas por coisas bobas, da insônia por somatizar a angustia, da vitimização por causa de pedir o mínimo, da solidão a dois.
Quando eu penso em você e me arrependo de ter te deixado ir, eu penso em mim e me agradeço por ter escolhido a mim mesma.
Eu não sei como superar a dor de perder alguém que se ama e que ainda está vivo, talvez eu deva para começar pensar onde eu me perdi e tentar me recuperar antes de tudo.
Do que adianta voltar para o mesmo lugar?
Não vamos resolver nada e só vai ser um paliativo para o problema maior do término: a anulação do eu em prol do nós.
Eu preciso continuar dizendo eu te amo, mas eu preciso me amar mais do que a você agora.
Como é difícil, principalmente quando mais e mais pessoas vão sabendo, e agora tudo se tornou real.
E quanto mais real se torna, mais certeza eu tenho de que não vou ter mais você nem que seja só um pouco do pedaço de pão.
E isso dói... e só o saco de box, me obrigar a comer e a tomar banho, trabalhar e tirar uma nota acima de zero na prova, não deixar a vida acabar, seguir em frente um dia de cada vez, como um viciado em recuperação, e aí talvez a abstinência de você, dê lugar a sobriedade e eu possa ser feliz comigo mesma um dia.
Por enquanto, ainda estou tentando entender porque não podemos ser felizes juntos e entender que o ciclo se encerrou.
Vamos para mais um filme de comédia romântica sobre ser feliz sozinha ou assistir a feia mais bela se tornando ela mesma, para dar inicio a sessão de reabilitação.
