
Você já ouviu a expressão “chorar sobre o leite derramado”? Já? Mas e se eu perguntar algo mais íntimo, como: você realmente, literalmente, já viu alguém chorar sobre o leite derramado. E aí? A resposta seria: oxe? Quem em sã consciência choraria por causa de um leite que derramou? O quão desesperada esta pessoa está pra se abater por conta de uns 5 ml de leite? É nesta hora que você me pergunta, onde você quer chegar com essas perguntas sem sentido? É claro que é só força de expressão, né? Não!
Como me sinto quando ninguém vê: episódios depressão e mania
Foi um dia normal de trabalho, ela sentou-se em frente ao seu velho amigo computador, fez várias contas, vendeu seus produtos, porque trabalha no seu próprio comércio. -Hum… está de bom humor hoje!: disse um cliente.
Algumas pessoas comentam que também é bem sucedida em tudo que faz, que além de comerciante, também é cantora, e tem até fãs que compram no seu mercadinho e pedem pra dar uma palinha. –Que merda!: ela pensa.
As vezes sente que as pessoas não a conhecem, que estão todos sendo fingidos, querendo se aproveitar de sua fama e sucesso, sente que todos deviam se afastar pra ela poder respirar, porque o peso da personagem simpática e querida, é um fardo pesado demais naquele dia. -Não, esta não sou eu! Porque eles não me amam, amam a outra? E a mente divagava em pensamentos de desvalor… num dia aparentemente, pacato.
Então, ansiosamente, isoladamente, em sonhos profundos e solidão, espera pela visita deste ser incrível, adorável, simpático, super inteligente e criativo, que todos amam estar perto e que se apodera vez ou outra do seu corpo, fazendo com que se sinta invencível. Mas sinto que ainda não sou eu! Pensa sobre si mesma:
-Quem sou eu?
Usei essa história acima para poder explicar o que acontece com a minha mente nas fases de depressão e mania. Aqui não tenho interesse em mostrar de forma científica sobre o assunto, só fazer você leitor ser impactado e talvez até sentir na pele como é passar por isso, para poder ajudar e ser ajudado.
Pois bem, na depressão bipolar não importa quão interessante você seja ou as pessoas ao seu redor, tudo perde o sentido. Não é como se você só estivesse triste, é uma sensação de apatia, vazio e desesperança com vários pensamentos desastrosos e até pensamentos suicidas. Já a mania é o completo oposto, você sente como se fosse a pessoa mais incrível, todo mundo te deseja, e você pode tudo.

Mas e o leite derramado? Calma! Vou chegar lá! Você esqueceu que este texto está sendo publicado por uma bipolar em episódio de pura criatividade? Pois bem.
Antes da depressão vem o gatilho

Quando abri meus olhos e vi o sol raiar pela minha janela de um vidro só (porque quebrei o outro em um surto, depois eu conto rs), lembrei que teria que trabalhar novamente e me preparei para mais um domingo corrido de vendas.
Tudo estava normal, tomei meu remédio, bebi minha água, confirmei no app que bebi, tomei meu café com leite de sempre, e lembrei que meu cão estava com fome, então peguei uma vasilha, pus ração, peguei meu leite integral na geladeira e botei na vasilha para molhar a ração e fui trabalhar.
Neste domingo, meus clientes nem estavam insuportáveis, recebi a visita ilustre do meu pai, que decidiu me ensinar como gerenciar a limpeza do meu negócio:
-Isso está sujo menina? Vai deixar ai pra vigilância sanitária reclamar? ele disse.
– É apenas uma vasilha que ainda não lavei, porque cheguei agora, mas vou lavar, eu disse.
Trabalhei, fechei o mercado, almocei na minha mãe como todo domingo, chamei meu marido e vim pra casa.
Cheguei em casa: vi a vasilha; olhei o chão: vi o leite; peguei a vasilha do chão: está furada; sentei no sofá: chorei.

Eu senti como se o chão estivesse se partindo, naquele momento só conseguia pensar no leite que derramou, segurando a vasilha senti como se meu coração fosse explodir, gritei, e a voz não saia, tentei falar e as palavras não saiam. Meu marido perguntou:
-Porque você está chorando?
Porque? Eu não conseguia respirar, então escrevi: porque o leite derramou…porque a vasilha estava furada.
Ele ficou ainda mais perplexo e confuso, enquanto tentava me acalmar, ele fazia piadas…
– Sua baba está escorrendo, está tipo um bumerangue… zum,zum.
Eu ri. Mas não foi suficiente.
Então ele me deu um remédio pra dormir, eu vomitei o remédio, porque engasguei com a crise de falta de ar. Ele não desistiu, e me fez dormir.
Só que não! Em meio a tanta angustia eu precisava de validação, precisava sentir alguma coisa, e procurei meu marido de forma sexual, ele fez amor comigo, mas eu não fiz amor com ele.
Eu não estava lá, a minha mente estava inebriada, e acordei mais tarde, sem lembrar como fui parar na minha cama.
Nos episódios de depressão mista sinto como se meu corpo estivesse desconectado da minha mente, e vejo tudo de fora, é como uma dissociação cognitiva, como se eu estivesse muito dopada.
Consegui expressar meu desafetos e como me sentia. Falei e meu marido me ouviu, mas não concordou comigo. Eu estava deprimida demais. Por isso, ao me ouvir ele me ajudou a trabalhar meus pensamentos e questioná-los, me ajudou a ver que eu não sou uma fracassada, e que nem tudo na minha vida está dando errado!
Entenda que o leite ter derramado, literalmente, foi o “gatilho” para eu por pra fora toda a minha dor e puxar a depressão bipolar.
O bipolar não vira do dia pra noite, não muda sem motivo, existe um gatilho, alguma coisa que faz despertar a crise: um pensamento de desvalor.
O pensamento de desvalor que surgiu na minha mente foi:
-Você faz tudo errado. Tá vendo? Até a vasilha do cachorro você não viu que estava furada. É por isso que sua empresa está endividada e você nunca vai ser capaz de dar orgulho pro seu pai.
Então eu não chorei pelo leite derramado.( trabalharei o tema de desvalor e dependência emocional nos próximos posts).
A importância de uma rede de apoio

Então, caro bipolar, a gente precisa de uma rede de apoio que possa nos parar quando nossa mente nos levar para os lugares mais sombrios (depressão), e também quando chegar a visitante incrível( mania ou hipomania).
Quem seria esta rede de apoio?
A rede de apoio são as pessoas que te entendem e te amam, pode ser seus amigos, seus pais. um parente próximo, ou até mesmo seu animal de estimação.
A rede de apoio é responsável por “aparar as arestas” como: perguntar se você tomou os remédios, se tomou banho ou te dar banho quando estiver deprimido, te impedir de beber, ou de fazer sexo com estranhos e outras situações que nós sofremos, ele estará lá.
Não dê confiança a qualquer um, certifique-se de que a pessoa que você escolheu pra te ajudar, não está te prejudicando ou manipulando. Pois quando nós bipolares estamos em episódios somos mais suscetíveis a sermos manipulados.
Ter uma rede de apoio pode te ajudar e até salvar sua vida. Antes de casar, minha rede de apoio era meu cachorro, saber que ele precisava de mim, me impedia de fazer coisas desnecessárias, como virar a noite em festas.
Com pessoas de confiança te apoiando, você terá mais chances de não surtar.
Enfim, precisamos saber que nem sempre teremos o controle do nosso “EU” e que demonstrar nossa fraqueza para as pessoas que de fato nos ama e pode nos ajudar, é a nossa força.
Técnicas pra superar a crise
Diante de minhas crises aprendi algumas técnicas, espero que ajude você.
-Faça respiração consciente: Se concentre na sua respiração é o inspira e respira;

-Saia de casa: as vezes é perigoso estar só, por isso só saia e tome um ar;

-Fale com alguém de confiança: diga como esta se sentindo e que pensamentos estão passando pela sua cabeça;

-Ore: orar também é falar, só fale como se sente;

-Durma: dormir acalma a mente;

-Procure um grupo de apoio: ver que existem mais pessoas que passam pelo mesmo que você, ajudará bastante.
Saiba que você não está sozinho, existem mais de 2% de pessoas fodidas como nós, saber isso também me acalma.
Até a minha próxima desventura!
Todas as informações contidas foram tiradas das minhas experiências
Só um adendo, porque a IA disse que meu texto estava horrível e mandou eu fazer uma pergunta pra deixar ele mais interessante.
Lá vai:
E você já chorou pelo leite derramado?
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